A investigação sobre o envio do corpo de um cachorro à vereadora Deza Guerreiro, de Novo Hamburgo (RS), foi concluída pela Polícia Civil e revelou que a responsável pela entrega era a própria tutora do animal. Segundo o delegado Rafael Sauthier, a mulher afirmou ter agido como forma de protesto diante do que considera omissão do poder público em relação aos chamados cães comunitários.

De acordo com a apuração, o cachorro da raça Pinscher vivia sob os cuidados da investigada e foi atacado por cães que circulavam nas proximidades de sua residência durante um passeio diário. O ataque ocorreu no sábado (4), e, conforme relato da mulher, ela buscou ajuda junto ao vice-prefeito do município logo após o incidente.

Ainda segundo o delegado, a tutora informou que tentou socorrer o animal em casa, realizando a limpeza dos ferimentos e administrando medicação. No entanto, alegou não possuir recursos financeiros para custear atendimento veterinário, afirmando que enfrentava dificuldades após despesas relacionadas ao próprio tratamento de saúde.

O cachorro morreu entre a noite de domingo (5) e a madrugada de segunda-feira (6). Na manhã seguinte, a mulher contratou um motorista de aplicativo para entregar uma caixa endereçada à Câmara Municipal de Novo Hamburgo, destinada à vereadora Deza Guerreiro, conhecida por atuar em defesa da causa animal. O entregador, conforme esclareceu a Polícia Civil, desconhecia completamente o conteúdo da encomenda.

Dentro da caixa estava o corpo do cachorro. Para os investigadores, a atitude foi motivada pela intenção de protestar contra a suposta falta de providências do poder público diante da presença de cães comunitários na região. A mulher alegou que outros ataques semelhantes já teriam ocorrido anteriormente, inclusive contra animais pertencentes a moradores do bairro.

Apesar da justificativa apresentada pela investigada, a Prefeitura de Novo Hamburgo e o gabinete da vereadora informaram que não existem registros de reclamações formais ou protocolos relacionados ao problema mencionado.

Ao final da investigação, a Polícia Civil apontou que a mulher poderá responder por injúria real, descarte irregular de carcaça animal e transporte inadequado de resíduos sólidos, além de maus-tratos a animais na modalidade comissiva por omissão.

O caso ganhou repercussão nacional após a própria vereadora divulgar um vídeo nas redes sociais mostrando o momento em que recebeu a encomenda. Na embalagem havia uma mensagem direcionada à parlamentar. Ao abrir a caixa, Deza inicialmente demonstrou receio sobre o conteúdo e, ao encontrar o corpo do cachorro envolvido em sacos plásticos, classificou o episódio como um ato de extrema crueldade.

Em publicação nas redes sociais, a vereadora afirmou que considerava o episódio um ataque criminoso e prometeu buscar a responsabilização da autora, classificando a ação como um ato de intimidação relacionado à sua atuação na defesa dos animais.