O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a substituição da prisão preventiva do pastor Márcio Poncio por prisão domiciliar, que deverá ser cumprida com monitoramento por tornozeleira eletrônica. A decisão foi proferida no último sábado (11) e atende a um pedido apresentado pela defesa do investigado.
Márcio Poncio foi preso no dia 3 de julho durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que apura um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas em benefício da facção criminosa Comando Vermelho. Empresário do setor tabagista e conhecido nas redes sociais como "pastor do cigarro", ele também possui grande influência no meio religioso e reúne mais de meio milhão de seguidores em suas plataformas digitais.
Ao analisar o pedido, Moraes considerou circunstâncias excepcionais apresentadas pelos advogados. Entre os argumentos, a defesa destacou que a esposa de Poncio, de 50 anos, enfrenta uma gestação considerada de alto risco e necessita de acompanhamento familiar durante esse período. Segundo os advogados, essa condição reforçaria o compromisso do investigado em permanecer à disposição da Justiça e colaborar com o andamento das investigações.
Outro fator levado em consideração foi o estado de saúde do pastor. Conforme os autos, ele é portador de retocolite ulcerativa grave, doença inflamatória crônica que afeta o intestino e exige acompanhamento médico contínuo.
Na decisão, o ministro afirmou que a situação apresentada justificava a adoção da prisão domiciliar, entendendo que a medida é compatível com a continuidade das investigações e com a preservação das condições de saúde do investigado.
Apesar da flexibilização da medida cautelar, Márcio Poncio continuará submetido a uma série de restrições. Além do uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, ele está proibido de manter contato com os demais investigados, receber visitas — exceto de seus advogados — e utilizar redes sociais.
A decisão também determina a suspensão da autorização para porte de arma de fogo e a entrega dos passaportes do investigado, impedindo eventual saída do país enquanto as investigações seguem em andamento.
A Operação Unha e Carne continua apurando suspeitas de repasse de informações confidenciais para integrantes do Comando Vermelho, e Márcio Poncio permanece entre os investigados do caso.



0 Comentários