Uma operação realizada nesta quinta-feira (25) pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público Estadual revelou novos desdobramentos de uma investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de uma empresa concessionária do transporte coletivo da capital paulista.
Batizada de Operação Última Parada, a ação identificou indícios de conexões entre integrantes da facção criminosa e membros da organização mafiosa italiana Ndrangheta, considerada uma das maiores estruturas criminosas da Europa. Segundo as autoridades, as movimentações financeiras investigadas apresentam características semelhantes às observadas em outras operações que apuraram mecanismos internacionais de ocultação de patrimônio e circulação de recursos ilícitos.
De acordo com os investigadores, o esquema utilizaria empresas e estruturas empresariais para inserir valores de origem criminosa na economia formal, dificultando o rastreamento dos recursos pelas autoridades. A investigação também aponta a existência de pessoas que aparecem em diferentes apurações relacionadas tanto ao crime organizado brasileiro quanto a investigações envolvendo a máfia italiana.
Entre os alvos dos mandados judiciais estão pessoas apontadas como integrantes da organização criminosa, empresários e ex-dirigentes ligados à concessionária de transporte investigada. As apurações também analisam a atuação de agentes que, segundo os investigadores, teriam exercido influência na gestão da empresa.
A operação mobilizou equipes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que cumpriram mandados em diversos endereços na capital paulista, municípios da Região Metropolitana de São Paulo e também no município de Extrema, em Minas Gerais.
As investigações tiveram origem em 2020, durante a apuração do assassinato de um dirigente da empresa de transporte. A partir da análise de documentos e movimentações financeiras, os investigadores identificaram indícios de que a concessionária poderia estar sendo utilizada para movimentar recursos provenientes de atividades criminosas.
Agora, os órgãos responsáveis buscam aprofundar a apuração para identificar a dimensão do esquema, o papel de cada investigado e possíveis conexões internacionais envolvendo organizações criminosas atuantes no Brasil e no exterior.
Vale destacar que os fatos seguem sob investigação e que os citados no inquérito têm direito à ampla defesa e ao contraditório. Até o momento, não há condenação definitiva relacionada às acusações apresentadas na operação.



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