O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer duras críticas à atuação do Conselho de Segurança da ONU durante discurso realizado na feira industrial de Hannover, na Alemanha, neste domingo (19). Em tom enfático, ele questionou a falta de mobilização dos principais líderes mundiais para interromper os conflitos em andamento.

Ao mencionar diretamente chefes de Estado como Donald Trump, Vladimir Putin, Xi Jinping e Emmanuel Macron, além do primeiro-ministro britânico, Lula questionou o papel do Conselho de Segurança, órgão responsável pela manutenção da paz global. Segundo ele, é necessário que esses países se reúnam com mais frequência para buscar soluções que encerrem as guerras.

O presidente ressaltou que o mundo vive atualmente um número elevado de conflitos e criticou o que chamou de falta de prioridade na resolução dessas crises. Ele também chamou atenção para os altos gastos militares globais, estimados em trilhões de dólares, contrastando com a escassez de investimentos em áreas como combate à fome e políticas migratórias.

Durante o discurso, Lula destacou ainda os impactos econômicos das guerras, como a alta nos preços do petróleo, alimentos e fertilizantes, que afetam diretamente países ao redor do mundo. Ele defendeu um modelo de cooperação internacional mais equilibrado, com fortalecimento de instituições como a Organização Mundial do Comércio e maior integração econômica entre blocos, citando o acordo entre Mercosul e União Europeia.

O presidente também abordou temas como o avanço da inteligência artificial e seus efeitos no mercado de trabalho. Segundo ele, é fundamental que o desenvolvimento tecnológico leve em consideração os trabalhadores e não apenas o aumento da produtividade.

Além disso, Lula alertou para o crescimento de forças antidemocráticas em diferentes países e apontou desigualdades na distribuição dos benefícios da globalização como um dos fatores que alimentam esse cenário.

Por fim, o chefe do Executivo brasileiro reforçou a necessidade de um multilateralismo mais justo e eficaz, capaz de responder aos desafios atuais e promover a paz mundial.