O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) decidiu neste sábado (7) rejeitar a proposta de formação de uma federação partidária com o Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições de 2026. A decisão foi tomada durante reunião virtual do diretório nacional da legenda, que terminou com 47 votos contrários e 15 favoráveis à proposta.

Com isso, o partido optou por renovar a federação já existente com a Rede Sustentabilidade. A direção do PSOL avaliou como positivo o balanço dos últimos quatro anos da parceria entre as duas siglas, considerando a aliança uma estratégia importante para fortalecer a atuação política e superar a cláusula de barreira prevista na legislação eleitoral.

Em nota, a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, afirmou que o tema foi debatido amplamente dentro da legenda. “O tema foi acolhido e debatido de modo democrático e amplo, conforme nossa tradição partidária. Vamos seguir agora orientados pelas decisões hoje tomadas, sempre com respeito às posições divergentes”, declarou.

Segundo o partido, a manutenção da federação com a Rede busca ampliar a representatividade política e fortalecer as bancadas no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas estaduais, preservando ao mesmo tempo a autonomia e a identidade de cada partido.

Divergências internas

A decisão também representa uma derrota para o grupo político ligado ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que defendia a formação de uma federação com o PT.

A corrente Revolução Solidária, associada a Boulos, vinha defendendo maior unidade política da esquerda para as eleições de 2026 e para o cenário político futuro. No entanto, a proposta enfrentou resistência dentro do próprio PSOL.

Nos últimos dias, integrantes da própria corrente anunciaram desligamento do grupo, criticando a estratégia de aproximação com o PT. A vereadora de Florianópolis Ingrid Sateré Mawé e o economista José Luis Fevereiro apontaram que a proposta teria surgido após a derrota de Boulos na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024.

Outras correntes internas, como o Movimento Esquerda Socialista e a Primavera Socialista, também se posicionaram contra a federação com o PT.

A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), que liderou o partido na Câmara em 2025, afirmou que a federação não seria adequada neste momento. Segundo ela, a decisão envolve tanto fatores eleitorais quanto políticos.

Entre os argumentos apresentados está o impacto na distribuição de candidaturas e na estratégia eleitoral da esquerda. Para alguns dirigentes, uma federação entre PT e PSOL poderia reduzir o número de candidatos disponíveis para ampliar a representação parlamentar.

O atual líder do PSOL na Câmara, deputado Tarcísio Motta (RJ), também defendeu a manutenção da independência partidária. “Unidade para reeleger Lula, independência para construir o futuro”, afirmou.

Cláusula de barreira

A discussão ocorre em meio à preocupação com a cláusula de barreira, regra que estabelece um desempenho mínimo nas eleições para que partidos tenham acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão.

Nas eleições de 2026, as siglas precisarão alcançar pelo menos 2,5% dos votos válidos em todo o país, distribuídos em ao menos nove estados, com mínimo de 1,5% em cada um deles, ou eleger 13 deputados federais em pelo menos nove estados.

Em 2022, o PSOL disputou as eleições em federação com a Rede Sustentabilidade e elegeu 14 deputados federais. Posteriormente, um resultado eleitoral no Amapá foi revertido, ampliando a bancada.

Atualmente, a federação conta com 15 parlamentares, sendo 11 do PSOL e quatro da Rede.