Após semanas de tensão nos bastidores da política paulista, o presidente nacional do Partido Social Democrático, Gilberto Kassab, passou a indicar a aliados que a relação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, voltou a se estabilizar. Segundo interlocutores próximos às lideranças, o partido deve manter apoio “incondicional” ao projeto de reeleição do governador nas eleições de 2026.
O PSD está no centro de um impasse político envolvendo a escolha do candidato a vice-governador na futura chapa de Tarcísio. O governador deseja manter o atual vice, Felício Ramuth, também filiado ao PSD. Nos bastidores, no entanto, Kassab teria articulado a possibilidade de ocupar a vaga de vice, movimento que poderia fortalecer um eventual projeto político para disputar o governo paulista em 2030.
De acordo com aliados, Tarcísio tem rejeitado a possibilidade de indicar Kassab para o posto de vice. Diante desse cenário, integrantes da base passaram a cogitar uma alternativa: a eventual mudança de partido de Felício Ramuth, permitindo sua permanência na chapa sem envolver diretamente o PSD na disputa interna.
A situação gerou especulações sobre um possível racha entre o partido e a coalizão que sustenta o governo estadual. Tanto o PSD quanto aliados do governador, entretanto, têm negado qualquer ruptura política.
Outro partido que demonstrou interesse em ocupar a vaga de vice é o Partido Liberal. Entre os nomes citados está o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, André do Prado. Apesar disso, Tarcísio teria informado ao senador Flávio Bolsonaro que a decisão sobre o companheiro de chapa será pessoal do governador.
A expectativa é que os nomes que irão compor a chapa majoritária para a disputa estadual — tanto para vice-governador quanto para o Senado — sejam anunciados em um evento previsto para o final do mês.
Mesmo com divergências recentes, Kassab tem reforçado a interlocutores que não pretende romper com o governador. Aliados destacam ainda que o PSD ocupa três secretarias no governo paulista, incluindo a Secretaria de Governo, comandada pelo próprio Kassab, o que torna improvável um rompimento político no momento.
A tensão entre as lideranças ganhou repercussão após uma declaração de Kassab afirmando que não se pode confundir “lealdade com submissão”, em referência à relação política entre Tarcísio e o ex-presidente Jair Bolsonaro. A fala teria irritado o governador, que respondeu afirmando que “quem fala de submissão não entende nada de lealdade”.
Apesar das divergências públicas e da disputa interna por espaço na chapa, o discurso oficial entre aliados é de manutenção da unidade da base governista para a disputa eleitoral de 2026.



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