Laudo elaborado pela Polícia Federal e tornado público pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não necessita de transferência para hospital penitenciário nem de concessão de prisão domiciliar. Segundo o documento, divulgado nesta sexta-feira (6), o estado de saúde do ex-mandatário é considerado estável, mesmo diante de comorbidades já conhecidas.
A perícia foi determinada após a transferência de Bolsonaro da Superintendência Regional da Polícia Federal para a Sala de Estado Maior localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Com a divulgação do laudo, Moraes retirou o sigilo do documento e estabeleceu o prazo de cinco dias para que a defesa e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestem sobre o conteúdo.
Na quarta-feira (4), os advogados do ex-presidente haviam apresentado novo pedido de prisão domiciliar, alegando agravamento do quadro clínico, com episódios de vômitos e crises intensas de soluço. No entanto, a avaliação técnica da Polícia Federal concluiu que, apesar das condições pré-existentes, Bolsonaro segue com parâmetros clínicos controlados.
O laudo confirma que o ex-presidente, de 70 anos, possui doenças como hipertensão arterial, obesidade, apneia do sono, refluxo gastroesofágico e obstruções arteriais. Ainda assim, os peritos afirmam que todas essas condições estão sendo devidamente tratadas, seja por meio de medicação contínua ou do uso de equipamentos específicos, como o CPAP, utilizado no tratamento da apneia.
A perícia também descartou diagnósticos mais graves mencionados por médicos ligados à defesa, como pneumonia bacteriana, anemia por deficiência de ferro, depressão e sarcopenia. De acordo com o documento, não foram encontradas evidências clínicas que justificassem tais condições.
Embora tenha afastado a necessidade de transferência, a Polícia Federal recomendou melhorias na estrutura da cela para reduzir riscos à integridade física do custodiado. Entre as sugestões estão a instalação de barras de apoio em banheiros e corredores, campainhas de emergência e acompanhamento fisioterapêutico contínuo.
Atualmente, Bolsonaro está custodiado em uma Sala de Estado Maior com cerca de 38,5 metros quadrados, equipada com quarto, banheiro privativo, copa, ar-condicionado e acesso a área externa para banho de sol.





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