A derrubada de Nicolás Maduro provocou uma mudança brusca no cenário político e econômico da Venezuela e reacendeu expectativas de recuperação após anos de crise profunda. Especialistas avaliam que a reaproximação com os Estados Unidos, aliada à flexibilização das sanções internacionais, pode impulsionar significativamente a economia, especialmente por meio da retomada do setor petrolífero, principal fonte de divisas do país.
Antes da mudança de governo, o ambiente era marcado por confronto direto entre Caracas e Washington, com sanções severas, apreensão de navios petroleiros e forte restrição ao comércio internacional. Para continuar exportando, a Venezuela era obrigada a vender petróleo com descontos elevados, o que limitava receitas e investimentos. A escassez de dólares levou o país a recorrer ao uso de criptomoedas, enquanto a inflação corroía salários e reduzia drasticamente o poder de compra da população.
Com a nova conjuntura, analistas apontam que acordos com os Estados Unidos podem destravar exportações e normalizar o fluxo de divisas. A estatal Petróleos da Venezuela já negocia mecanismos de venda semelhantes aos firmados com grandes multinacionais do setor energético. Há expectativa de que parte das receitas seja destinada à importação de bens essenciais e à recuperação da infraestrutura, especialmente do sistema elétrico.
Economistas avaliam que o petróleo será decisivo para a retomada. O setor responde por cerca de 87% das entradas de moeda estrangeira no país e, com o aumento da produção e a redução dos descontos nas vendas, o impacto pode ser imediato. Projeções indicam que a economia venezuelana pode crescer até 30%, ritmo superior ao registrado nos últimos anos.
Apesar do otimismo, o cenário ainda inspira cautela. A atividade econômica segue fragilizada após os recentes confrontos militares, e a volatilidade do câmbio permanece elevada. O dólar paralelo chegou a disparar mais de 50% em poucos dias, pressionando preços e alimentando temores de um novo surto inflacionário.
Especialistas alertam que, sem estabilidade política e regras claras, o risco de hiperinflação segue presente. Para eles, a recuperação sustentável dependerá de uma transição institucional capaz de restaurar a confiança, atrair investimentos de longo prazo e reorganizar a economia em bases mais sólidas.




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