Uma crise institucional atingiu o Ministério Público do Maranhão após promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pedirem exoneração coletiva de suas funções. A decisão foi tomada no domingo (11) como reação a um parecer da Procuradoria-Geral de Justiça favorável à libertação de investigados presos na segunda fase da Operação Tântalo II, que apura um esquema de desvio milionário de recursos públicos no município de Turilândia.

A operação, deflagrada em 22 de dezembro, resultou na prisão do prefeito Paulo Curió (União Brasil), dos 11 vereadores da cidade, além de um secretário municipal e empresários. As investigações apontam para a existência de uma organização criminosa instalada na administração municipal, responsável por desviar cerca de R$ 56 milhões das áreas de Saúde e Assistência Social por meio de empresas de fachada.

No documento encaminhado à chefia do Ministério Público, os promotores afirmam que o posicionamento institucional favorável à soltura fragiliza o enfrentamento ao crime organizado e contraria o trabalho investigativo desenvolvido ao longo do caso. Apesar de ressaltarem respeito à hierarquia e às atribuições da Procuradoria-Geral, os membros do Gaeco alegam que a divergência inviabiliza a permanência no órgão nos moldes atuais.

O parecer questionado foi assinado pelo procurador-geral de Justiça em exercício, Orfileno Bezerra Neto, e encaminhado à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão, responsável por decidir sobre a manutenção ou não das prisões.

Em nota oficial, o procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, afirmou que as medidas adotadas seguem os limites legais e que mudanças em cargos de coordenação fazem parte da dinâmica institucional, sem comprometer a continuidade das investigações. A coordenação do Gaeco e da área de inteligência do MP passou a ser assumida pelo procurador Haroldo Paiva de Brito, enquanto uma nova equipe deverá ser nomeada.

Durante a operação, foram apreendidos milhões de reais em dinheiro vivo, e os vereadores investigados optaram por permanecer em silêncio em depoimentos recentes. O Ministério Público sustenta que, mesmo com eventual soltura, outras medidas cautelares permanecem em vigor para garantir o andamento das apurações.