Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram neste domingo (4) um posicionamento conjunto demonstrando preocupação com os desdobramentos recentes da crise na Venezuela. A manifestação foi tornada pública pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro e ocorre após a ofensiva dos Estados Unidos no território venezuelano.
No comunicado, os seis governos alertam para os riscos de qualquer iniciativa que envolva controle externo, administração forçada ou apropriação de recursos naturais e estratégicos da Venezuela. Segundo o texto, esse tipo de ação contraria o direito internacional e pode comprometer seriamente a estabilidade política, econômica e social não apenas do país, mas de toda a região.
O grupo, formado de maneira informal e específico para tratar da situação venezuelana, também defende a atuação das Nações Unidas como mediadora, com o objetivo de reduzir tensões e evitar uma escalada do conflito. Os países reforçam ainda o entendimento da América Latina e do Caribe como uma zona de paz, que deve ser preservada independentemente de divergências ideológicas ou políticas.
Paralelamente, está prevista uma reunião extraordinária de chanceleres no âmbito da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), bloco que reúne 33 países da região. O encontro deve discutir caminhos diplomáticos para lidar com o cenário de instabilidade.
A crise se intensificou após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, que o acusam de crimes como narcoterrorismo. Em declarações recentes, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que seu governo pode assumir temporariamente a administração do país até a conclusão de um processo de transição política.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou as ações militares e a detenção do chefe de Estado venezuelano como uma violação grave e inaceitável. Em contrapartida, líderes de outros países, como o presidente argentino Javier Milei, manifestaram apoio à ofensiva norte-americana.
No texto divulgado, os seis países defendem que qualquer solução para a Venezuela deve ocorrer exclusivamente por meios pacíficos, com respeito à soberania nacional e à vontade do povo venezuelano. Também alertam que intervenções militares unilaterais criam precedentes perigosos para a segurança regional e internacional, além de expor a população civil a riscos elevados.




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