O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (16) que o Brasil não pretende permanecer limitado ao papel de exportador de commodities no cenário internacional. A declaração foi feita após reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na qual foram discutidos os próximos passos para a assinatura do acordo econômico entre o Mercosul e a União Europeia.
Segundo Lula, o país busca avançar para um novo patamar de inserção internacional, com foco na produção e comercialização de bens industriais com maior valor agregado. O presidente destacou que, embora o Brasil tenha sido historicamente um grande fornecedor de produtos agropecuários para o mercado europeu, a estratégia atual é diversificar a pauta exportadora e fortalecer a indústria nacional.
Durante o encontro, Lula ressaltou que o acordo pode gerar empregos e oportunidades tanto na América do Sul quanto na Europa, reforçando a integração econômica entre os blocos. Ele também classificou o tratado como relevante para o fortalecimento do multilateralismo e das democracias, após um processo de negociação que se arrastou por mais de 25 anos.
O presidente lembrou ainda que, em seu terceiro mandato, o Brasil já concluiu acordos comerciais importantes com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura, além de buscar novas parcerias com países como Canadá, México, Vietnã, Japão e China.
A assinatura oficial do acordo Mercosul–União Europeia está prevista para o próximo domingo (17), no Paraguai, com a presença de líderes europeus e ministros das Relações Exteriores dos países do Mercosul.
Apesar do avanço político, o tratado ainda não entra em vigor de forma imediata. No lado europeu, o texto precisará passar por processos de ratificação na Comissão Europeia, no Parlamento Europeu e, em alguns casos, em parlamentos nacionais, devido ao caráter misto do acordo. Já no Mercosul, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai também deverão aprová-lo internamente, em meio a debates e resistências de setores industriais e sindicatos.
Diplomatas avaliam que, no cenário mais favorável, a tramitação pode ser concluída ao longo de 2026. No entanto, disputas políticas, eleições e críticas ambientais, especialmente relacionadas à Amazônia e ao Cerrado, ainda podem influenciar o cronograma.
Se implementado, o acordo prevê redução gradual de tarifas, ampliação do comércio de bens e serviços, mecanismos de proteção ambiental e instrumentos para resolução de controvérsias, com impactos relevantes para ambas as regiões.




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