O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou no Diário Oficial da União o decreto que fixa o novo valor do salário mínimo a partir de 1º de janeiro de 2026. O piso nacional passará dos atuais R$ 1.518 para R$ 1.621, representando um reajuste de 6,79%. Apesar de entrar em vigor em janeiro, o pagamento com o novo valor ocorrerá efetivamente a partir de fevereiro.

O cálculo do reajuste segue a política de valorização do salário mínimo retomada pelo governo federal. A fórmula considera a inflação acumulada em 12 meses até novembro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. No caso do novo mínimo, a inflação foi de 4,4%, enquanto o crescimento da economia em 2024 alcançou 3,4%.

No entanto, o ganho real foi limitado. Pelas regras do novo arcabouço fiscal, o aumento real das despesas públicas está travado em 2,5%, o que impediu que todo o crescimento do PIB fosse repassado ao salário mínimo. Assim, parte do reajuste econômico acabou absorvida pelo teto fiscal.

O impacto social do salário mínimo é amplo. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 59,9 milhões de brasileiros têm renda direta ou indiretamente vinculada ao piso nacional. O valor serve de referência para aposentadorias do INSS, Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e abono salarial.

Ao mesmo tempo, o reajuste pressiona as contas públicas. Estimativas oficiais apontam que cada real acrescido ao salário mínimo gera um aumento aproximado de R$ 420 milhões nas despesas obrigatórias do governo. Com a elevação de R$ 103, o impacto total pode chegar a R$ 43,2 bilhões em 2026, reduzindo a margem para investimentos e outras despesas discricionárias.

Apesar do aumento, especialistas destacam que o valor ainda está distante do considerado ideal. O Dieese calcula que, para garantir condições dignas de sobrevivência a uma família, o salário mínimo deveria superar R$ 7 mil, evidenciando a distância entre o piso legal e o custo real de vida no país.