O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado (20), ao comentar o uso de eventos oficiais para manifestações políticas, além de atualizar a situação envolvendo a concessionária de energia Enel e a crise no transporte público municipal.

Segundo Nunes, atos administrativos recentes teriam sido utilizados de forma inadequada para discursos com viés eleitoral, o que, em sua avaliação, fere princípios democráticos. Para o prefeito, espaços institucionais devem ser preservados para decisões administrativas, sem confusão entre funções de governo e interesses partidários.

O chefe do Executivo paulistano também reagiu às declarações do presidente direcionadas ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema, classificando o tom adotado como agressivo e desnecessário. Nunes afirmou que o país não precisa de confrontos políticos em ambientes institucionais e defendeu mais equilíbrio no debate público.

No campo da crise energética, o prefeito voltou a responsabilizar o governo federal pela regulação e fiscalização da concessão da Enel, alegando que tanto o município quanto o Estado ficaram vulneráveis à má prestação do serviço. Ele contestou a justificativa apresentada pela concessionária de que quedas de árvores seriam a principal causa dos apagões, afirmando que a maioria dos imóveis afetados não teve relação com esse tipo de ocorrência.

Nunes reforçou que a Prefeitura seguirá pressionando por providências e reiterou que não deseja a permanência da Enel como fornecedora de energia elétrica na capital paulista.

Já sobre o transporte público, o prefeito comentou as decisões judiciais envolvendo a empresa Transwolff, investigada por supostos vínculos com o crime organizado. Embora uma decisão na esfera cível tenha suspendido o processo de caducidade do contrato, Nunes afirmou que uma determinação na área criminal inviabiliza qualquer retorno da empresa ao sistema municipal.

Por fim, o prefeito falou sobre a tarifa de ônibus, informando que a administração aguarda a conclusão dos estudos técnicos da SPTrans. A decisão, prevista para o fim do ano, deverá ser tomada em alinhamento com o governo estadual, com a meta de evitar reajustes acima da inflação.