A atriz francesa Brigitte Bardot, ícone do cinema mundial, símbolo de liberdade feminina e uma das mais conhecidas defensoras da causa animal, morreu aos 91 anos. A informação foi confirmada neste domingo (28) pela Fundação Brigitte Bardot, que não divulgou a data nem o local do falecimento.
“A Fundação Brigitte Bardot anuncia com imensa tristeza o falecimento de sua fundadora e presidente”, informou a instituição em comunicado enviado à agência AFP.
Protagonista de clássicos como “E Deus Criou a Mulher” e “O Desprezo”, Bardot participou de quase 50 filmes e marcou profundamente o cinema das décadas de 1950 e 1960. Com seu estilo simples e sensual, ajudou a consolidar a fama de Saint-Tropez, na França, e também de Búzios, no Brasil, como destinos internacionais.
Nos últimos anos, Bardot esteve no centro de controvérsias por declarações sobre política, imigração e caça, algumas delas resultando em condenações judiciais por difamação. Em um de seus livros mais recentes, publicado em outubro, escreveu: “A liberdade é ser você mesmo, mesmo quando incomoda”.
O presidente francês, Emmanuel Macron, prestou homenagem nas redes sociais e afirmou que a atriz representava uma “vida de liberdade”. “Seus filmes, sua voz, seu brilho deslumbrante, sua paixão generosa pelos animais… Brigitte Bardot encarnava uma vida de liberdade. Existência francesa, esplendor universal. Choramos a perda de uma lenda do século”, declarou.
Símbolo de uma era
Antes das polêmicas, Bardot era simplesmente BB, um mito mundial. Ícone da libertação feminina, rompeu padrões de comportamento, vestuário e sexualidade. Foi comparada à Marilyn Monroe francesa, com quem se encontrou em 1956, mas recusou seguir o mesmo destino trágico da atriz americana.
Duas cenas entraram para a história do cinema: a dança improvisada ao som de mambo em “E Deus Criou a Mulher” e o célebre monólogo em “O Desprezo”, no qual aparece nua diante da câmera.
Nascida em 1934, em uma família burguesa, Bardot iniciou a carreira interessada pela dança e pela moda. Casou-se com Roger Vadim, que lhe deu o papel que a consagrou internacionalmente. Teve um único filho, Nicolas, em 1960, experiência que descreveu como traumática, afirmando não ter instinto maternal.
Antes de completar 40 anos, na década de 1970, Bardot decidiu abandonar definitivamente o cinema, afastando-se da vida pública.
Ativismo e causa animal
Após deixar as telas, Bardot se dedicou integralmente à defesa dos animais. O engajamento começou durante as filmagens de seu último filme, em 1973, quando comprou uma cabra para salvá-la do abate.
Criou, em 1986, a Fundação Brigitte Bardot, que se tornou referência internacional na proteção animal. Lutou contra touradas, caça de elefantes, o consumo de carne de cavalo e participou de campanhas contra a caça de filhotes de foca no Canadá.
Nos últimos anos, viveu de forma reclusa em sua casa La Madrague, em Saint-Tropez, cercada por animais. Em entrevista recente, afirmou buscar “paz e natureza” e viver sem celular ou computador.




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