A Marcha da Consciência Negra levou centenas de pessoas às ruas do Centro de Guarulhos na manhã do feriado de 20 de novembro, em um percurso marcado por memória, cultura, resistência e celebração da identidade negra. A concentração ocorreu no Marco da Consciência Negra, ponto simbólico da cidade, e a dispersão foi realizada no calçadão da rua Dom Pedro II, onde acontecia a Feira Empreenda Afro, que fortalece o empreendedorismo negro local.
Durante o trajeto, os participantes percorreram locais que fazem parte da história da população negra em Guarulhos. Entre eles, a Igreja Nossa Senhora do Rosário Mãe dos Homens Pretos, construída pela irmandade negra; o tradicional busto da Mãe Preta, na praça Getúlio Vargas; a rua Nossa Senhora Mãe dos Homens (Pretos), que preserva parte da trajetória da comunidade; e a rua Doutor Luiz Gama, uma homenagem ao abolicionista que marcou a luta contra a escravidão no país.
A presença maciça do público foi celebrada pelo subsecretário da Igualdade Racial, Jorge Caniba Batista dos Santos, que destacou o crescimento contínuo das marchas realizadas em várias regiões do Brasil. “É muito gratificante observar como essas marchas, não apenas a de Guarulhos, mas todas as demais realizadas pelo país, têm angariado cada vez mais seguidores e obtido uma importância crescente na mídia, justamente devido à participação da sociedade. E vamos continuar crescendo ainda mais nos próximos anos”, afirmou.
Organizada pelo Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir), com apoio da Subsecretaria da Igualdade Racial, a marcha reforçou o chamado ao engajamento coletivo na luta antirracista. A presidente do Compir, Greice Oliveira, ressaltou que a responsabilidade pela construção de uma sociedade mais justa não pode recair exclusivamente sobre a população negra. “O enfrentamento ao racismo precisa do compromisso de toda a sociedade, pois os impactos da desigualdade ainda recaem de forma mais intensa sobre nós”, alertou.
A subsecretaria reforçou também a importância do SOS Racismo, serviço que acolhe vítimas de discriminação racial pelo telefone 2402-1000 ou pelo e-mail [email protected], com atendimento anônimo e orientações qualificadas.
Dados divulgados recentemente pelo Ministério da Igualdade Racial e pelo IBGE dão dimensão da urgência do combate ao racismo no Brasil: 85% da população negra afirma já ter sofrido discriminação racial, e trabalhadores negros seguem recebendo, em média, 40% a menos do que trabalhadores brancos.
A Marcha da Consciência Negra em Guarulhos, mais uma vez, reafirmou seu papel como espaço de mobilização, visibilidade e luta por igualdade racial.



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