A Fundação para o Remédio Popular “Chopin Tavares de Lima” (FURP), responsável por parte da produção de medicamentos gratuitos distribuídos pelo SUS em São Paulo, não será fechada. A informação de que o governo paulista encerraria suas atividades é falsa. O que está em andamento é um processo de reestruturação e modernização, que incorporará a FURP ao Instituto Butantan e dará origem à Butantan Farma, ampliando a inovação e a produção farmacêutica no estado.

A mudança, aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), busca recuperar o potencial produtivo da instituição, que já fabricou 80 tipos de medicamentos, mas hoje disponibiliza apenas 30, atendendo cerca de 30 municípios — número muito inferior aos 600 do passado. Apesar de ter capacidade para produzir até três bilhões de unidades farmacêuticas por ano, a FURP opera atualmente com apenas 400 milhões, e sua unidade de Américo Brasiliense está inativa.

Ao incorporar a fundação, o Instituto Butantan — referência mundial em pesquisa, vacinas e biotecnologia — pretende ampliar o portfólio de medicamentos ofertados ao SUS. Os primeiros cinco anos da Butantan Farma devem incluir 35 novos produtos, entre eles projetos ligados ao Programa de Desenvolvimento Produtivo (PDP), com foco em doenças raras e tratamentos oncológicos. Também estão previstas parcerias para transferência de tecnologia e maior investimento em pesquisa e desenvolvimento.

O que muda com a Butantan Farma

  • A FURP não será privatizada, vendida ou fechada. Trata-se de uma reorganização entre dois órgãos públicos vinculados à Secretaria de Estado da Saúde.

  • A produção de medicamentos gratuitos será ampliada, não reduzida. O objetivo é expandir o portfólio e aproveitar a capacidade produtiva existente.

  • Nenhum remédio essencial será descontinuado, incluindo tratamentos para HIV/AIDS, saúde mental, Alzheimer e imunossupressores.

  • Não haverá demissão em massa: o projeto aprovado pela Alesp determina a manutenção dos colaboradores da FURP.

  • O Butantan já possui expertise farmacêutica, incluindo biotecnológicos como o Adalimumabe, e agora avança em direção a uma atuação mais ampla.

  • A decisão passou por audiências públicas, debates com especialistas e votação na Alesp.

Com a criação da Butantan Farma, o governo paulista aposta em um modelo mais moderno, integrado e com maior capacidade de inovação, com foco no fortalecimento da produção pública de medicamentos e no atendimento à população do SUS.