Com o tema “As artes e a diversidade cultural na educação: um olhar para as relações étnico-raciais”, o Artes em Conexão 2025 foi aberto na manhã desta terça-feira (4), reunindo diretores e professores de artes da rede municipal no Teatro Adamastor, em Guarulhos. A iniciativa da Secretaria de Educação (SE) integra a Agenda Guarulhos Contra o Racismo e marca o início das ações do Novembro Negro Guarulhos 2025, reforçando o compromisso da cidade com a valorização da diversidade e a promoção da igualdade racial.

O evento teve início com uma apresentação da Orquestra GRU Sinfônica, que encantou o público com as obras Radetzky March (Strauss), Mourão (César Guerra Peixe) e Abertura sobre temas brasileiros, composição do maestro Renan Vitoriano. Em seguida, o coordenador pedagógico da EPG Teresinha Mian Alves, João Paulo Araújo, apresentou ao violão músicas emblemáticas compostas por mulheres negras — Marinheiro Só (Clementina de Jesus), Sorriso Negro (Dona Ivone Lara) e A Carne (Elza Soares).

Durante a abertura, a coordenadora de programas educacionais da SE, Andressa Carla Reis, realizou a leitura do livro Talvez você consiga, de Imogen Foxell, com projeção das ilustrações da artista Anna Cunha, promovendo um momento de sensibilidade e reflexão sobre a importância das narrativas diversas na educação.

A manhã contou ainda com uma palestra do Dr. Carlos José Lírio, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que abordou os valores civilizatórios de matriz negro-africana e sua contribuição para a construção de uma educação plural e antirracista. A mediação foi feita pela coordenadora de programas educacionais Erika Amorim, que conduziu o diálogo sobre o papel da escola na valorização das identidades culturais.

Na programação da noite, os coordenadores pedagógicos e professores da Educação de Jovens e Adultos (EJA) participaram de um encontro com Claudia Lucena, chefe da Divisão Técnica de Políticas para Diversidade e Inclusão Educacional. Mediado por Leonardo Geronazzo, o debate destacou a importância da interdisciplinaridade entre arte e educação e o papel da escola na construção de uma sociedade antirracista.

Mais do que cumprir as leis 10.639/03 e 11.645/08 — que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena —, o Artes em Conexão 2025 reafirma o compromisso de Guarulhos em promover uma educação que reconheça e valorize as matrizes ancestrais e culturais que compõem a identidade do país.