O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na manhã desta sexta-feira (10), em São Paulo, o novo modelo de crédito imobiliário do Governo Federal, voltado para ampliar o acesso da classe média à casa própria e fortalecer o setor da construção civil. A cerimônia, realizada no Centro de Convenções Rebouças, contou com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Jader Filho (Cidades); do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira; e do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A medida foi desenvolvida conjuntamente pelos ministérios da Fazenda e das Cidades, em parceria com o Banco Central, e moderniza o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) — principal fonte de recursos para financiamentos habitacionais no país. O objetivo é tornar o uso da poupança mais eficiente e ampliar a oferta de crédito imobiliário, especialmente para famílias de classe média, que vinham enfrentando dificuldades para financiar imóveis dentro das regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).
Com o novo modelo, o valor máximo do imóvel financiado pelo SFH será ampliado de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, permitindo que mais brasileiros possam comprar imóveis em condições facilitadas. O governo estima que a mudança também estimulará o setor da construção civil e impulsionará a geração de empregos, fortalecendo a economia.
Atualmente, 65% dos depósitos em poupança são direcionados obrigatoriamente ao crédito imobiliário, 20% são recolhidos ao Banco Central e 15% têm aplicação livre. Essa estrutura, segundo o governo, tornou-se limitada diante da redução dos saldos de poupança e da diversificação das aplicações financeiras. O novo modelo elimina o direcionamento fixo e os depósitos compulsórios, adotando uma lógica dinâmica: quanto maior o volume de depósitos, maior será a oferta de crédito habitacional.
Além disso, o novo sistema permitirá captações via Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), aumentando a sustentabilidade e a competitividade do mercado. “Estamos tornando o uso da poupança mais eficiente, o que vai permitir que cada real depositado gere mais crédito, mais habitação e mais empregos”, afirmou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello.
A transição será gradual, com início ainda em 2025 e plena vigência prevista para janeiro de 2027. Durante o período, o percentual de depósitos compulsórios será reduzido de 20% para 15%, e parte dos recursos será aplicada no novo regime.
Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, a medida também aumentará a competição entre instituições financeiras, inclusive permitindo que bancos que não captam poupança possam oferecer crédito habitacional em condições equivalentes. “Essa iniciativa atende uma faixa da população que estava sem acesso ao crédito. Famílias com renda acima das faixas do Minha Casa Minha Vida não tinham alternativas a não ser enfrentar juros de mercado muito altos”, explicou.
Com essa reformulação, o governo busca iniciar um novo ciclo de crescimento com sustentabilidade e inclusão social, ampliando o acesso da classe média à moradia e fortalecendo o mercado imobiliário brasileiro.



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