O dólar comercial teve forte valorização nesta sexta-feira (10) e encerrou o pregão em R$ 5,5037, alta de 2,39%, registrando o maior fechamento em mais de dois meses. O movimento foi impulsionado por uma combinação de tensões fiscais no Brasil e renovados atritos comerciais entre Estados Unidos e China, que elevaram a aversão ao risco entre investidores.
No cenário doméstico, as recentes medidas do governo federal voltadas à popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, subsídios de energia e gás e expansão de programas sociais, aumentaram a percepção de risco fiscal. O mercado avalia que essas ações têm caráter populista e podem comprometer a meta fiscal de 2026, especialmente após a derrota da Medida Provisória que previa aumento do IOF no Congresso.
A queda de cerca de 4% no preço do petróleo, motivada pelo cessar-fogo entre Israel e Hamas, também pressionou o real, que registrou o pior desempenho entre moedas emergentes.
No exterior, a aversão ao risco aumentou após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que estuda um “grande aumento” das tarifas sobre produtos chineses, como resposta aos controles sobre exportações de terras-raras implementados por Pequim. A retórica reacendeu temores de uma nova guerra comercial, beneficiando ativos considerados seguros, como ouro e títulos do Tesouro americano.
O Ibovespa acompanhou o clima de cautela global e caiu 0,73%, fechando aos 140.680 pontos, menor patamar desde o início de setembro. Foi a terceira semana consecutiva de perdas, acumulando recuo de 2,44%. Entre as maiores baixas do dia estiveram CSN (-6,06%), Hapvida (-6,02%) e Braskem (-3,83%), enquanto Engie (+1,45%) e Suzano (+1,05%) resistiram à queda generalizada.



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