O aumento de casos suspeitos de intoxicação por metanol provocou reação das autoridades em Brasília, envolvendo governo e Congresso. A Câmara dos Deputados aprovou urgência para votação de projeto que torna crime hediondo a adulteração de alimentos ou bebidas por adição de ingredientes que ofereçam risco à vida ou grave ameaça à saúde.
O Ministério da Saúde recebeu 59 notificações de intoxicação por metanol, sendo 53 em São Paulo, 5 em Pernambuco e 1 no Distrito Federal. Até o momento, 11 casos foram confirmados, incluindo uma morte, e outras sete ocorrências seguem em investigação. Entre os casos recentes, o rapper Hungria foi internado na UTI do Hospital DF Star, após consumir vodca adquirida no Distrito Federal, e está estável.
Em resposta, o Ministério da Saúde estabeleceu estoque de etanol farmacêutico nos hospitais universitários federais e vai comprar 4,3 mil ampolas do medicamento, antídoto ao metanol. A Anvisa mapeou 604 farmácias de manipulação que podem fornecer o produto e abrirá edital internacional para aquisição de fomepizol, antídoto mais eficaz não produzido no Brasil. O governo também solicitou à Organização Pan-Americana de Saúde a doação imediata de 100 tratamentos de fomepizol e planeja adquirir mil unidades para estoque permanente.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que as medidas são de precaução. “Nos últimos dez anos, em média, tínhamos até 20 casos por ano em todo o país. De agosto a setembro, apenas em São Paulo, já superamos o total do ano inteiro”, explicou. Ele orientou ainda que o etanol farmacêutico só deve ser administrado com prescrição médica e que a população evite ingerir bebidas destiladas, especialmente incolores, sem certeza absoluta da procedência.





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