Libertação é parte do acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA; em troca, Israel soltou 2 mil prisioneiros palestinos

Os reféns israelenses começaram a ser libertados pelo Hamas nas primeiras horas desta segunda-feira (13), no horário local, após dois anos em cativeiro na Faixa de Gaza. A libertação faz parte de um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, que prevê a soltura de 2 mil prisioneiros palestinos por parte de Israel, incluindo 250 condenados à prisão perpétua.

Segundo o governo israelense, os reféns fazem parte dos 251 sequestrados em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas invadiu o território israelense e matou cerca de 1,2 mil pessoas. Do total, 48 ainda estavam em cativeiro, sendo 20 considerados vivos.

De acordo com as Forças de Defesa de Israel (IDF), o primeiro grupo, composto por sete reféns, foi entregue à Cruz Vermelha e já cruzou a fronteira israelense. Eles foram identificados como Eitan Mor, Gali Berman, Ziv Berman, Matan Angrest, Guy Gilboa-Dalal, Alon Ohel e Omri Miran. O grupo foi levado a uma base militar em Israel, onde recebeu atendimento médico e acompanhamento psicológico. Familiares foram informados e acompanhados por representantes das forças armadas.

Em seguida, a Cruz Vermelha iniciou o resgate do segundo grupo, com 13 reféns, que foram colocados em quatro veículos e também encaminhados para Israel. Com isso, o Hamas concluiu a libertação de todos os 20 reféns vivos, segundo a imprensa estatal israelense.

A libertação foi comemorada em Tel Aviv e em Re’im, no sul do país. Centenas de pessoas se reuniram carregando bandeiras de Israel e laços amarelos, símbolo de solidariedade às famílias dos sequestrados. Em Tel Aviv, a celebração tomou conta da chamada “Praça dos Reféns”, ponto de encontro das manifestações por liberdade dos cativos.

Enquanto isso, do outro lado do conflito, 1.966 prisioneiros palestinos começaram a ser soltos em Israel. A agência Reuters informou que todos embarcaram em ônibus saindo das prisões israelenses. Desse total, 1.716 são de Gaza e serão liberados no Hospital Nasser, enquanto 250 condenados à prisão perpétua seguirão para a Cisjordânia, Jerusalém e outros países.

No domingo (12), caminhões com comida entraram na Faixa de Gaza, onde cenas de desespero mostraram crianças com desnutrição severa e famílias famintas. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, mais de 67 mil palestinos morreram desde o início da ofensiva israelense.

Durante a libertação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acompanhou os acontecimentos a bordo do Air Force One e afirmou que “a guerra em Gaza acabou”. O avião presidencial pousou em Israel nesta segunda-feira, e Trump deve se reunir com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, encontrar familiares dos reféns libertados e fazer um discurso no Parlamento israelense (Knesset), onde será homenageado com uma medalha.