A vereadora de Guarulhos Fernanda Curti manifestou preocupação com a instauração do Inquérito Policial nº 1506979-37.2025.8.26.0224, aberto em 3 de julho de 2025 pelo Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (SECCOLD) da Seccional de Guarulhos. O inquérito investiga a parlamentar pelo suposto crime de resistência.
De acordo com o gabinete da vereadora, a abertura do inquérito ocorre após Curti ter denunciado um policial militar que disparou bala de borracha contra um morador em situação pacífica, fato registrado em vídeo e amplamente divulgado pela imprensa. A parlamentar também realizou uma audiência pública na Câmara Municipal de Guarulhos, onde denunciou abusos ocorridos em reintegrações de posse de comunidades da cidade.
A vereadora lembra que, na véspera da reintegração de posse no bairro Terra Prometida, esteve no 15º Batalhão da Polícia Militar para negociar os termos da ação e proteger as famílias. No entanto, no dia 11 de março de 2025, segundo Curti, os acordos não foram cumpridos integralmente, resultando em abusos contra a população local.
O gabinete da parlamentar questiona a condução do inquérito. Segundo o comunicado, até o depoimento de Curti, ocorrido em 26 de agosto, o inquérito não contava com informações do Ministério Público ou da Polícia Militar, apenas depoimentos de um capitão e um soldado, que afirmaram que a atuação da vereadora teria “atrapalhado os trabalhos policiais e judiciais”, sem indicar qualquer ameaça ou violência, elementos essenciais para caracterizar o crime de resistência.
Após o depoimento, foram juntados mais dois depoimentos de soldados, datados de 12 de agosto, além de representação da PM e ofícios do MP, procedimento que, segundo a vereadora, gera estranheza e reforça a necessidade de esclarecimentos da Corregedoria da Polícia Judiciária.
O inquérito só foi redistribuído à Vara do Juizado Especial Criminal em 1º de setembro, quase um mês após sua instauração e depois de impetrado um habeas corpus. O gabinete de Curti classifica o caso como possível perseguição política, conhecida como lawfare, quando órgãos públicos são usados para intimidar ou criminalizar representantes eleitos.
Em nota, Fernanda Curti reafirma seu compromisso com a democracia, direitos humanos e a representação popular, e solicita que partidos, parlamento e sociedade civil acompanhem os desdobramentos do caso para garantir a livre atuação política.





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