O vereador *Guto Tavares (PDT), de Guarulhos, fez duras críticas à concessionária **Motiva (antiga CCR)* durante sessão da Câmara Municipal, questionando o modelo de cobrança do novo pedágio eletrônico implantado na região. Segundo ele, a forma como os pórticos foram instalados penaliza diretamente a população guarulhense.
“*Os pórticos só estão no trecho entre Guarulhos e São Paulo. Quem passa por Arujá, na praça de pedágio, fica isento. Ou seja, só o guarulhense paga. Isso é uma injustiça*”, afirmou o parlamentar.
Atualmente, são *23 pórticos de cobrança* na ligação entre Guarulhos e a capital paulista. Para Tavares, a medida é desproporcional e atinge especialmente trabalhadores e estudantes que utilizam diariamente a via Dutra. “Estamos falando de *400 mil veículos por dia*. É a maior via de tráfego pendular do Brasil. Quantos guarulhenses não vão a São Paulo e voltam todo dia?”, questionou.
O vereador também lembrou que, durante audiência pública realizada em São Paulo, representantes da Motiva não compareceram a Guarulhos para prestar esclarecimentos. “*A cidade mais afetada não foi ouvida. Decidem em Brasília, em salas fechadas, sem ouvir a Câmara Municipal, sem ouvir o prefeito Lucas, que já se posicionou contra a cobrança*”, criticou.
Outro ponto levantado foi o impacto econômico da medida. Tavares destacou que motoristas de aplicativos, pequenos trabalhadores e grandes empresários locais serão prejudicados. “Um motorista de Uber, que já ganha pouco, vai querer pagar *R\$ 2,57 por viagem*? Ele vai preferir desviar pela via local, aumentando o trânsito e prejudicando a população. Grandes empresas, com 100 ou 200 caminhões, também serão oneradas e certamente repassarão esse custo.”
O vereador mencionou ainda o fechamento do acesso à pista expressa no Jardim Álamo, que teria concentrado o tráfego no Trevo de Bonsucesso, já conhecido pelos congestionamentos.
Segundo Tavares, a luta não é individual, mas coletiva: “*Essa não é uma causa de um vereador, é uma causa de Guarulhos. A Câmara precisa reagir. Nós não estamos contra pedágio ou contra desenvolvimento, estamos contra uma cobrança injusta, feita apenas sobre a população guarulhense*.”
Durante a sessão, o parlamentar citou também o projeto do vereador Rafael Acosta, que propõe garantir isenção à população de Guarulhos ou, no mínimo, impedir a cobrança no município.
Por fim, Tavares cobrou contrapartidas da concessionária. “*Qual investimento a Motiva está fazendo em Guarulhos? Que projeto social, que ação de segurança viária está sendo aplicada? Durante as obras, tivemos um aumento absurdo de acidentes e ninguém explicou nada à população*.”
A discussão sobre os valores da cobrança deve ter novos desdobramentos nos próximos dias em Brasília. Enquanto isso, vereadores de Guarulhos prometem mobilização conjunta para defender os interesses da cidade.



0 Comentários