A Semana de Educação Linguística 2025 reuniu professores, coordenadores pedagógicos, supervisores e gestores da rede municipal em uma série de palestras e rodas de conversa com especialistas, voltadas ao fortalecimento das práticas pedagógicas e à reflexão sobre o papel da linguagem no ensino e na aprendizagem. O evento abordou desde questões culturais e sociais até aspectos cognitivos e de inclusão, contemplando a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Na quinta-feira (25), o professor doutor Carlos José Lírio conduziu a palestra “Por um ensino antirracista de língua portuguesa”, chamando atenção para a necessidade de combater o preconceito linguístico dentro e fora do ambiente escolar. Ele destacou que a linguagem é moldada por fatores socioculturais que incluem experiências familiares, crenças e interações sociais, e ressaltou que cada indivíduo constrói sua identidade linguística desde o nascimento, expandindo-a continuamente ao longo da vida.
Carlos defendeu a ampliação da educação linguística, que ainda se concentra em fala e escrita, para abranger também outras modalidades, como a linguagem visual, corporal, digital e arquitetônica. Essa visão mais abrangente, segundo ele, permite reconhecer diferentes formas de expressão e amplia a acessibilidade. Um dos pontos centrais da palestra foi a denúncia do preconceito linguístico sofrido por crianças oriundas do Nordeste brasileiro, vítimas de discriminação devido ao sotaque ou vocabulário regional, tanto por colegas quanto, muitas vezes, por elas mesmas de maneira inconsciente.
Ainda na quinta-feira, o professor doutor Marcelo Marcelino abordou o tema “Aquisição de segunda língua: inglês”, trazendo reflexões sobre os desafios e as metodologias para o ensino de línguas estrangeiras em diferentes etapas da formação escolar.
Na terça-feira (23), a professora doutora Beatriz Cavalheiro Crittelli, com mediação de Rafael Miguel e Letícia Cunha, ministrou a palestra “Linguagem e cognição aplicados à sala de aula para estudantes com deficiência”. O encontro contou com a presença de professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE), docentes da Educação Infantil, bilíngues e estagiários. Beatriz destacou que a linguagem é essencial para o desenvolvimento cognitivo e explicou como dificuldades de comunicação, como as enfrentadas por crianças com autismo ou surdez, podem impactar o aprendizado e o bem-estar. Segundo ela, os professores desempenham papel fundamental ao interpretar as necessidades de cada aluno, sendo necessário adotar estratégias pedagógicas personalizadas para garantir inclusão e reduzir ansiedade.
Na parte da tarde, a professora mestra e doutoranda Gláucia Antonovicz Lopes apresentou a palestra “Linguística Cognitiva”, direcionada a vice-diretores da rede, ampliando a discussão sobre a aplicação da teoria linguística em práticas pedagógicas.
O encerramento da Semana de Educação Linguística está programado para esta sexta-feira (26), às 13h30, no auditório 8 do CME Adamastor, com a palestra “Linguagem, crianças e inclusão”, ministrada pela professora doutora Maria de Fátima e mediada pela professora mestra Hanna Martiniano. O encontro promete consolidar as reflexões da semana, reforçando a importância da linguagem como instrumento de transformação social, construção da identidade cultural e promoção da inclusão.



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