Diversas cidades brasileiras registraram protestos neste domingo (21) contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e contra o projeto que prevê anistia a envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Os atos, convocados por movimentos de esquerda nas redes sociais, reuniram milhares de pessoas em capitais e municípios de todas as regiões do país.
A PEC da Blindagem, já aprovada na Câmara dos Deputados, propõe impedir que o Supremo Tribunal Federal (STF) abra processos penais contra parlamentares sem autorização prévia do Congresso Nacional. Críticos alertam que a medida representa um grave retrocesso, pois, em experiências anteriores, o Legislativo praticamente bloqueou a tramitação de ações penais contra deputados e senadores. Agora, o texto segue para análise no Senado, onde já encontra forte resistência. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), declarou que pretende pautar a proposta para rejeitá-la, classificando-a como um “murro na barriga e tapa na cara do eleitor”.
Além da PEC, os manifestantes também se posicionaram contra o projeto de anistia que busca perdoar os condenados pelos ataques de 8 de janeiro. Na última semana, a Câmara aprovou o regime de urgência para a tramitação da proposta, acelerando sua análise.
Os protestos tiveram forte adesão em capitais como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Belém, Maceió, Natal, João Pessoa, Manaus, Teresina, São Luís, Cuiabá, entre outras cidades. Na Avenida Paulista, em São Paulo, o ato reuniu grande público em frente ao Masp. Em Brasília, a concentração ocorreu no Museu Nacional, seguida de caminhada até o Congresso Nacional.
Em Salvador, o ato ganhou caráter cultural, com a presença de artistas como Wagner Moura, Nanda Costa, Daniela Mercury e Lan Lanh. Já em Belo Horizonte, nomes como Fernanda Takai, da banda Pato Fu, se juntaram às manifestações. Em Maceió, a cantora Simone emocionou o público ao cantar clássicos de resistência.
Com cartazes, faixas e palavras de ordem, os manifestantes ressaltaram a importância da defesa da democracia e rejeitaram o que chamam de “PEC da Bandidagem”. Frases como “Sem anistia para golpistas”, “Fascismo nunca mais” e “Não à PEC da Blindagem” ecoaram nas ruas de diferentes regiões do país.
As manifestações foram, em sua maioria, pacíficas e contaram com forte participação de sindicatos, movimentos sociais, partidos políticos e representantes da sociedade civil organizada. O tom das falas e apresentações artísticas reforçou o repúdio às tentativas de flexibilizar punições para crimes contra o Estado Democrático de Direito.



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