O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (21) para Nova York, onde participará da 79ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). O evento ocorre em um momento delicado das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, marcado por tarifas impostas pelo governo de Donald Trump e acusações mútuas de interferência política.

Na próxima terça-feira (23), Lula fará o tradicional discurso de abertura do debate de líderes mundiais. Desde 1947, é tradição que o Brasil seja o primeiro país a falar na tribuna, seguido pelos Estados Unidos. Esse protocolo abre a possibilidade de um breve encontro entre Lula e Trump nos corredores da ONU, embora não haja, até o momento, previsão de reunião oficial entre ambos.

A crise diplomática se intensificou após a decisão do governo americano de impor uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, atingindo diretamente setores como siderurgia, agronegócio e manufaturas. A medida foi interpretada pelo governo brasileiro como uma tentativa de pressão política diante da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

No último dia 11, Bolsonaro foi sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado em 2022, decisão que gerou forte repercussão internacional. Para Washington, a Justiça brasileira estaria perseguindo um aliado de Trump, justificativa usada pelo republicano para endurecer as medidas econômicas contra o Brasil.

Autoridades brasileiras reagiram com críticas às tarifas e às ameaças de novas sanções. Lula, em discursos recentes, classificou a postura americana como “agressiva e desrespeitosa à soberania nacional”. Já Trump e seus porta-vozes acusam o governo brasileiro de utilizar o Judiciário para enfraquecer a oposição.

Diante desse cenário, a participação de Lula na ONU ganha peso político e diplomático. Além de reforçar compromissos históricos do Brasil com a defesa da democracia e do multilateralismo, o presidente terá a oportunidade de responder, ainda que indiretamente, às pressões vindas de Washington.