Na próxima semana, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York, o Brasil, em parceria com Espanha, Chile, Colômbia e Uruguai, promoverá um evento paralelo sob o tema “Em defesa da democracia, combatendo os extremismos”. Diferentemente do ano passado, quando os Estados Unidos foram convidados e enviaram representantes, em 2025 o país não foi incluído na lista de participantes.
A ausência americana reflete o atual momento de tensão nas relações diplomáticas entre Brasília e Washington. Segundo auxiliares do governo brasileiro, nenhum dos organizadores cogitou chamar os EUA para a reunião, e tampouco a administração do presidente Donald Trump demonstrou interesse em participar.
O evento terá formato semelhante ao realizado em 2024 e busca fortalecer estratégias conjuntas para proteger a democracia diante do avanço de discursos extremistas. Em julho, uma prévia do encontro ocorreu em Santiago, no Chile, já apontando a articulação entre os cinco países.
A exclusão dos Estados Unidos ocorre em um contexto de desgaste político e comercial. Recentemente, Trump impôs tarifas de 50% sobre diversos produtos brasileiros, justificando a medida como resposta àquilo que considera perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe após as eleições de 2022.
A decisão de não convidar Washington também expõe a mudança de cenário internacional. Em 2024, ainda sob a presidência do democrata Joe Biden, os EUA participaram do encontro organizado por Lula e aliados. Agora, diante da nova gestão e das sanções anunciadas após a condenação de Bolsonaro, as relações bilaterais enfrentam um dos momentos mais críticos dos últimos anos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (21) para Nova York e será responsável pelo tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU na terça-feira (23). O encontro paralelo deverá reforçar a posição do Brasil e de seus parceiros como defensores de um pacto democrático latino-ibérico diante das pressões internas e externas.



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