Após semanas de articulação política, senadores da oposição conseguiram reunir 41 assinaturas necessárias para protocolar um pedido formal de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A iniciativa, liderada por parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ganhou força após a decisão de Moraes que determinou prisão domiciliar contra o ex-mandatário.

A última adesão ao documento veio do senador Laércio Oliveira (PP-SE), consolidando o número mínimo exigido para a tramitação do pedido. Com isso, os líderes oposicionistas encerraram a obstrução das votações no Senado e também desocuparam a Mesa Diretora da Casa, ações que vinham sendo utilizadas como forma de protesto contra decisões do Judiciário.

Segundo o líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), o grupo agora pretende focar seus esforços na pressão política sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que ele aceite e dê prosseguimento ao processo. “Voltamos às votações e aos debates que interessam ao país. Mas seguimos atentos às arbitrariedades”, afirmou Marinho.

A justificativa do pedido gira em torno de alegações de abuso de autoridade por parte de Moraes, com destaque para sua atuação em decisões envolvendo a Operação Lesa Pátria, o bloqueio de contas e perfis de parlamentares e influenciadores nas redes sociais, e a forma como conduz inquéritos no Supremo.

Apesar da movimentação, o futuro do pedido é incerto. Isso porque cabe exclusivamente ao presidente do Senado aceitar ou arquivar o processo. Desde 2019, outros pedidos semelhantes foram protocolados, mas nenhum avançou.