O Salão de Artes do Adamastor recebeu no último sábado (12) a gravação da terceira parte do documentário A História da Mistura de Raça e do Mestre Marcondes, obra que retrata a trajetória do mestre e a relevância histórica da capoeira como expressão cultural e ferramenta de resistência do povo negro no Brasil. O evento reuniu capoeiristas de várias gerações e contou com cerimônias de batizados, trocas de cordões e formaturas, fortalecendo o vínculo entre tradição, memória e identidade cultural.
A produção do documentário, que deve ser lançada em 2026 com première no Teatro Adamastor e apoio da Subsecretaria da Igualdade Racial de Guarulhos, foca na história de vida de Mestre João Marcondes, fundador da Associação Mistura de Raça e campeão paulista e brasileiro de capoeira em 1988. O filme também homenageia Mestre Mirão, pioneiro da capoeira em Guarulhos, fundador da Associação Desportiva de Capoeira Rosa Baiana em 1974.
Além de destacar personagens e histórias locais, a obra contextualiza a capoeira como arte de resistência, que surgiu como forma de luta e proteção entre os negros escravizados no Brasil. A prática foi perseguida e criminalizada até ser legalizada em 1937, mas os reflexos do preconceito ainda permanecem, como relata o subsecretário da Igualdade Racial de Guarulhos, Jorge Caniba Batista dos Santos: “A legalização não acabou com o preconceito, que ainda é presente, inclusive nas escolas”.
Hoje reconhecida internacionalmente e declarada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, a capoeira se apresenta como arte, esporte e filosofia de vida, promovendo inclusão, autoestima e pertencimento. O evento também foi marcado pela elevação de Daniel Buscalonge ao título de mestre, após 30 anos dedicados à Associação Mistura de Raça.
Para Mestre Marcondes, o documentário será um legado para as futuras gerações: “Precisamos registrar e difundir essa história para que as próximas gerações compreendam a profundidade da capoeira e seu papel na formação do Brasil”.
Além das homenagens, o evento serviu como marco de valorização cultural e educativa da capoeira, que segue viva nos CEUs, parques e espaços públicos da cidade.
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