Decisão é classificada como político-ideológica e gera reação de setores econômicos; União Europeia e México terão tarifa de 30%
O Brasil foi o país mais duramente atingido pela nova rodada de tarifas anunciadas pelo ex-presidente e pré-candidato republicano Donald Trump. Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última quarta-feira (9), Trump informou que, caso o país não firme um novo acordo comercial com os Estados Unidos até 1º de agosto, passará a ser taxado em 50% nas exportações para o mercado americano.
A medida faz parte de uma ofensiva mais ampla iniciada por Trump nesta semana, em que foram enviadas cartas a diversas nações estipulando novas tarifas. Neste sábado (12), o ex-presidente americano anunciou a imposição de 30% sobre a União Europeia e o México. As novas taxas variam entre 20% e 50%, conforme a relação bilateral de cada país com os EUA.
Brasil lidera lista com maior tarifa
Confira os países notificados e os percentuais divulgados:
• Brasil: 50%
• Laos e Myanmar: 40%
• Camboja e Tailândia: 36%
• Bangladesh, Canadá e Sérvia: 35%
• Indonésia: 32%
• África do Sul, Argélia, Bósnia e Herzegovina, Iraque, Líbia, México, Sri Lanka e União Europeia: 30%
• Brunei, Cazaquistão, Coreia do Sul, Japão, Malásia, Moldávia e Tunísia: 25%
• Filipinas: 20%
Repercussão: “medida político-ideológica”
O anúncio de 50% para o Brasil causou reação imediata. Especialistas como o economista Paul Krugman, Prêmio Nobel, afirmaram que a decisão possui forte caráter político. “Não seria a primeira vez que os Estados Unidos usam tarifas como instrumento de pressão ideológica”, disse.
Entidades representativas da indústria e da agropecuária também criticaram duramente a medida. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) declarou que “não há qualquer fundamento econômico que justifique uma tarifa dessa magnitude”, alertando para o risco de perda de competitividade e impactos no emprego.
Carta enviada a Lula cita Bolsonaro
Na correspondência enviada ao governo brasileiro, Trump citou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mencionando o julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) como “uma vergonha internacional”. O tom da carta reforça a percepção de que a decisão vai além de questões comerciais, ampliando o caráter político do embate.
A medida aprofunda as tensões comerciais entre Brasil e EUA em um cenário global já marcado por disputas protecionistas, e deve ganhar destaque nos próximos debates eleitorais norte-americanos e nas estratégias de política externa do governo brasileiro.
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