O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu neste domingo (8), em Mônaco, com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para um almoço de trabalho voltado ao fortalecimento das relações entre o Brasil e a União Europeia. Na pauta, Lula destacou a convicção de que o Acordo Mercosul-União Europeia pode ser assinado até o fim de 2025, durante a presidência brasileira do bloco sul-americano, que terá início em julho.
"Como enfatizei em minha recente visita de Estado à França, é essencial fazer um esforço de esclarecimento sobre a total compatibilidade desse acordo com os interesses das duas partes do ponto de vista ambiental, comercial e estratégico", declarou Lula em publicação nas redes sociais. Para o presidente, o tratado é um contraponto ao ressurgimento do protecionismo no cenário internacional e reforça o compromisso com o multilateralismo.
Agricultura e clima no centro do debate
O presidente afirmou que, nas próximas semanas, o Brasil buscará evidenciar as convergências entre os modelos agrícolas do Mercosul e da União Europeia — um dos principais entraves para a conclusão do acordo, especialmente por parte da França. Lula também reiterou a compatibilidade do tratado com os compromissos firmados no Acordo de Paris.
A conversa entre os líderes incluiu ainda as expectativas em torno da COP30, que será realizada em Belém, no Pará, em novembro. Segundo Lula, a Europa é parceira fundamental para garantir o sucesso da conferência climática, especialmente no tocante ao financiamento das ações de mitigação e adaptação às mudanças do clima. “Somos todos atores que compartilham a certeza de que a transição energética justa representa oportunidades para uma nova agenda de desenvolvimento econômico inclusivo e sustentável”, afirmou.
Participaram do encontro os ministros Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), além do presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago.
Acordo histórico e impacto econômico
Concluído em dezembro, durante a Cúpula do Mercosul em Montevidéu, o Acordo Mercosul-União Europeia compreende 20 capítulos e documentos adicionais. Ele ainda precisa passar por revisão legal, tradução, assinatura e ratificação pelos dois blocos.
Considerado o maior acordo comercial da história do Mercosul, a parceria com a União Europeia é estratégica para o Brasil. Em 2023, o bloco europeu foi o segundo maior parceiro comercial do país, com um fluxo de comércio de US$ 92 bilhões. O tratado promete dinamizar os investimentos e modernizar o parque industrial brasileiro, ao integrar o país às cadeias produtivas europeias. Atualmente, a UE detém quase metade do estoque de investimento estrangeiro direto no Brasil.
Compromisso com os oceanos
Mais cedo, Lula participou do encerramento do Fórum de Economia e Finanças Azuis, também em Mônaco. Em seu discurso, que se conecta com a Terceira Conferência da ONU sobre os Oceanos — a ser realizada nesta semana em Nice, França —, o presidente reforçou o papel do Brasil na conservação marinha e no uso sustentável dos oceanos, em consonância com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 da Agenda 2030. “Ou agimos ou o planeta corre risco”, alertou.
Ainda no domingo, Lula teve um encontro com o príncipe Alberto II de Mônaco. A visita ao principado encerra uma intensa agenda na Europa, que incluiu uma visita de Estado à França, onde foram assinados 20 acordos bilaterais e anunciados investimentos franceses de até R$ 100 bilhões no Brasil até 2030.
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