O presidente da Associação Comercial e Empresarial, Silvio Alves, promoveu na manhã desta quinta-feira (26/6) uma coletiva de imprensa para debater dois temas que têm preocupado empresários e cidadãos: o aumento da carga tributária e a escassez de mão de obra qualificada no Brasil. O encontro contou com a presença do deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP), que reforçou a necessidade de reformas estruturais no país e fez duras críticas ao atual modelo de gestão fiscal do governo federal.


Durante a coletiva, Silvio Alves destacou que as recentes medidas econômicas têm penalizado diretamente o consumidor final.


“O aumento de impostos impacta o preço de tudo. O pãozinho, a carne, o gás. Isso reduz o poder de compra da família, esmaga o trabalhador e trava o comércio”, alertou.


Segundo ele, enquanto o governo direciona incentivos ao setor financeiro, a população sofre com a elevação de preços e a falta de oportunidades.


“Parece que o governo virou pai dos ricos e padrasto dos pobres. Nosso projeto de incentivo fiscal não é para banqueiro. É para as famílias, para os jovens. Queremos atrair empresas para a cidade, gerar emprego e renda de verdade. Isso é que muda a realidade das pessoas”, declarou Silvio.



Luiz Philippe: “O Brasil precisa parar de gastar e fazer uma reforma administrativa urgente”


O deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança elogiou a recente atuação do Congresso Nacional ao barrar o aumento da alíquota do IOF, que, segundo ele, encareceria o crédito e desestimularia investimentos no Brasil.


“Ontem o governo sofreu uma derrota e o Congresso conseguiu uma vitória para o povo brasileiro ao evitar o aumento do IOF, que afetaria boa parte das transações financeiras. Seria mais um golpe no custo de capital, diminuindo crédito, investimento e atratividade do Brasil”, afirmou.


Apesar de críticas contundentes aos presidentes da Câmara e do Senado, o deputado reconheceu a importância da pauta:


“Sou crítico à condução atual do Congresso, mas é preciso reconhecer que, ao menos nesse caso, eles pautaram algo que já é consenso entre o povo e o empresariado: chega de aumentar impostos. O governo precisa parar de gastar e, acima de tudo, fazer uma reforma administrativa para cortar gastos federais.”


Luiz Philippe também relacionou o avanço do assistencialismo com a crise da mão de obra no país. Segundo ele, há um incentivo perverso que desestimula o trabalho produtivo:


“Hoje temos planos assistencialistas que desmotivam o cidadão a trabalhar. Muitos preferem receber benefícios a buscar emprego formal. Além disso, o perfil do trabalho está mudando, com aumento da pejotização. O governo tenta forçar o modelo CLT apenas para sustentar a Previdência, mas o trabalhador prefere atuar como autônomo e não contribuir. Isso gera um rombo crescente e obriga o governo a aumentar impostos para fechar a conta.”


“A Previdência é o maior gasto do governo federal, são cerca de R$ 400 bilhões por ano, quase 40% do orçamento. Se continuar crescendo o gasto com programas que desestimulam a formalização, esse ciclo de déficit fiscal só vai piorar”, completou.



Falta de mão de obra e desafios com a Geração Z


Outro ponto abordado foi a dificuldade enfrentada por empresas para contratar trabalhadores qualificados. Para Silvio Alves, o problema vai além da formação técnica e envolve uma mudança de comportamento das novas gerações.


“A escassez de mão de obra é real. Temos vagas, mas falta preparo e também disposição. Precisamos enfrentar esse novo desafio: a geração Z. Muitos jovens hoje têm habilidades digitais, mas falta compromisso, responsabilidade e visão de longo prazo. Precisamos resgatar o valor do trabalho e ajudar essa geração a se conectar com a realidade do mercado”, disse.


A coletiva foi realizada no auditório da Associação Comercial. Os organizadores reforçaram que o objetivo é ampliar o debate sobre os impactos reais das decisões econômicas no cotidiano da população e cobrar ações concretas do governo para conter a escalada de preços e retomar a geração de empregos.