Vice Osmar Stábile assume interinamente; decisão final caberá aos sócios em assembleia geral, ainda sem data definida


O Conselho Deliberativo do Corinthians aprovou, na noite desta segunda-feira (26), o impeachment do presidente Augusto Melo, que está afastado do cargo de forma imediata. Com a saída, quem assume interinamente a presidência do clube é o primeiro vice-presidente, Osmar Stábile.


A sessão decisiva ocorreu no Parque São Jorge e contou com 234 votos válidos. Desses, 176 conselheiros votaram a favor do afastamento, 57 foram contrários e um voto foi registrado em branco.


Mesmo antes do anúncio oficial do resultado, Augusto Melo já adotava tom de despedida. Em um discurso aos conselheiros, listou realizações de sua gestão e reconheceu que a maioria votaria por sua saída. Apesar disso, reafirmou que não renunciaria formalmente ao cargo.


Assembleia de sócios definirá destino final


Com a decisão do Conselho, o processo agora será analisado pelos sócios do clube, em Assembleia-Geral que deverá ser convocada nos próximos cinco dias pelo presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior. A votação entre os associados ainda não tem data definida, mas a expectativa é de que ocorra em até 60 dias.


Caso os sócios confirmem o impeachment, o Conselho convocará uma nova eleição indireta, restrita aos próprios conselheiros. Se a maioria optar pela rejeição do afastamento, Augusto Melo retornará ao cargo e o processo será arquivado.


Escândalo com patrocinadora motivou crise


A queda de Augusto Melo é consequência direta do escândalo envolvendo o contrato de patrocínio com a empresa Vai de Bet. Na última quinta-feira (22), o dirigente foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de furto qualificado mediante abuso de confiança, associação criminosa e lavagem de dinheiro.


Além de Melo, também foram indiciados Marcelo Mariano (ex-diretor administrativo), Sérgio Moura (ex-diretor de marketing) e o empresário Alex Cassundé, que intermediou o acordo com a casa de apostas.


A defesa do ex-presidente nega qualquer irregularidade e já entrou com pedido de habeas corpus para tentar anular o indiciamento.


Com mais esse capítulo na crise política do Corinthians, o clube vive um dos momentos mais turbulentos de sua história recente, com impactos diretos na administração, no futebol e na relação com a torcida.