Pré-candidato do PSDB à Presidência, o ex-governador de São Paulo João Doria enviou uma carta ao presidente do partido, Bruno Araújo, em que sobe o tom ao reafirmar que não vai desistir da candidatura e indica que poderá judicializar a situação, caso seja abandonado pela sigla.

Após a divulgação da carta, Bruno Araújo convocou uma reunião da Comissão Executiva Nacional do PSDB para debater as afirmações do ex-governador. Ao blog, João Doria reiterou que não irá abrir mão da candidatura nas eleições presidenciais deste ano.
"Solicitamos que você [Bruno Araújo] respeite o estatuto do PSDB e a vontade democraticamente manifestada pela ampla maioria dos trinta mil eleitores do nosso partido", afirma Doria.
Em outro ponto, o ex-governador diz que, antes mesmo das prévias, existia uma "movimentação de parte da cúpula" do PSDB contra ele e que, depois do processo interno, "tentativas de golpe continuaram acontecendo".
"Qual foi a nossa surpresa ao saber que, apesar de termos vencido legitimamente as prévias, as tentativas de golpe continuaram acontecendo. As desculpas para isso são as mais estapafúrdias, como, por exemplo, a de que estaríamos mal colocados nas pesquisas de opinião pública e com altos índices de rejeição, cinco meses antes do pleito", afirma o ex-governador no documento, que também é assinado por seu advogado.
Doria declara, no texto, que pesquisas de opinião "refletem o momento" e não podem "servir para guiar os destinos" do PSDB nas eleições nem o voto dos eleitores. Ele não tem tido bom desempenho nas sondagens feitas por institutos de pesquisa.
O ex-governador de São Paulo diz ainda que, "a cada semana", as movimentações de Bruno Araújo "mudam" e que isso "cria insegurança jurídica para os filiados". E declara que uma decisão da cúpula partidária não pode se sobrepor às prévias. Doria também afirma que eventuais descumprimentos do estatuto do partido podem ser questionados judicialmente.
No final do documento, João Doria diz que usará de "todas" as suas "forças" para fazer "prevalecer a vontade, democraticamente manifestada pela imensa maioria dos filiados do PSDB, e para que seja respeitada a lisura nos gastos realizados com o fundo partidário".
Em novembro do ano passado, Doria foi escolhido como pré-candidato do PSDB à Presidência da República ao derrotar, em eleição interna, o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto.
Na ocasião, após um processo tumultuado, o ex-governador de São Paulo recebeu 53,99% dos votos, enquanto Leite obteve 44,66% e Virgílio, 1,35%.